A Penha tem as suas
raízes ligadas
diretamente à
história de São
Paulo. Eram em seus
caminhos que os
bandeirantes
buscavam indígenas
para escravizá-los
ou mesmo
catequizá-los. Isso,
lá pelos idos de
1600. A história nos
conta que o bairro
foi fundado pelo
padre licenciado
Mateus Nunes de
Siqueira e por seu
irmão, padre Jacinto
Nunes de Siqueira.
Por volta de 1660, o
licenciado Mateus
tinha uma fazenda
com igreja e um
grande curral. Ao
local foi dado o
nome de Nossa
Senhora da Penha.
O crescimento da
fazenda veio do
dinheiro que o padre
deixou à igreja de
Nossa Senhora. Antes
disso, muitas
pessoas deixaram
seus bens em
testamento para a
igreja. Basicamente,
a capela cresceu em
beleza e tamanho,
assim como o pequeno
povoado que estava
em seu entorno.
A história dessa
santa nasceu na
França como Notre
Dame de France, nas
cercanias de grandes
montes. Daí Nossa
Senhora do Monte,
que no Brasil se
tornou Nossa Senhora
da Penha. Penha
significa "massa de
rocha isolada e
saliente, penhasco
ou penedo".
A história da Penha
está ainda marcada
por uma lenda.
Conta-se que um
viajante francês que
percorria o Brasil
estava em São Paulo.
Certa vez pernoitou
pelos lados de onde
hoje é o bairro.
Amarrada ao cavalo
estava uma imagem de
Nossa Senhora. Ele
acordou no outro dia
e pôs-se a caminho.
Léguas adiante deu
pela falta da santa.
Voltou e encontrou a
imagem no mesmo
lugar onde havia
dormido. Colocou-a
no alforje e partiu.
Horas depois, o
viajante descobriu
que Nossa Senhora
não estava mais com
ele. Voltou outra
vez, e lá estava ela
no mesmo lugar. Não
deu outra, ele
chegou à conclusão
que a santa
escolhera aquele
local para ficar. E
assim o francês
construiu ali uma
capela.
A notícia correu
rápido, a lenda se
instalou, e o povo
passou a fazer
peregrinações ao
local. Verdade ou
não, o fato é que a
história foi grande
participante do
crescimento da
Penha. A santa tinha
nos paulistanos
fiéis à toda prova,
e assim foi por
séculos. Basta dizer
que no século 17,
nos grande surtos de
cólera ou varíola, a
Câmara Municipal
pedia ao bispo para
remover a imagem
para a cidade: "a
triste situação
ameaçante de maior
ruína [...] nos leva
a pedir para que a
Sagrada Imagem seja
removida daquela
paróquia para a
Santa Sé Catedral
desta cidade para
nela dirigir-mos
nossas preces ao seu
Altíssimo e Soberano
Filho [...]".
Infelizmente, foram
tantas as procissões
no correr dos
séculos que o
caminho da Penha,
passando pelo Brás,
era um dos melhores
da cidade. Não era
pra menos: milhares
e milhares de
portugueses
católicos no mesmo
caminho! As avenidas
Rangel Pestana e
Celso Garcia são
frutos dessa intensa
romaria tanto da
Penha para a vila
como vice-versa.
Em 1876 aconteceu a
última vinda da
imagem da santa para
o centro da Capital.
A partir daquele ano
os fiéis é que
passaram a visitar a
igreja da Penha, que
no mês de Setembro
se enfeitava, e o
bairro vivia uma
grande festa. O
crescimento do
bairro foi
acontecendo de modo
calmo e pequenas
vilas se formaram ao
seu redor.
No correr dos anos e
do desenvolvimento
do bairro, as festas
em louvor da santa
foram perdendo a
religiosidade e os
padres reclamavam
das bebedeiras e dos
bandidos que
infestavam as ruas
calmas da Penha.
Nos primeiros anos
do século 20 havia
um pequeno
ajuntamento de casas
e grande chácaras na
região. As chácaras,
cortadas e
recortadas,
transformaram-se em
loteamentos. A Penha
ficou com um ar
bucólico e bem
paulistano, mesmo
com o franco
progresso que se
instalou na região.
Talvez com saudades
dos tempos das
procissões...
Bairros no distrito
da Penha: América da
Penha, Carlos de
Campos, Vila
Centenário, Chácara
da Penha, Engenheiro
Trindade, Vila
Esperança, Eugênio,
Germani Vilari,
Guaiaúna, Jardim
Concórdia, Jardim do
Monte, Jardim Jaú,
Parque Eduardo,
Penha, Penha de
França, Santo
Antonio, Vila
Amália, Vila
Beatriz, Vila Feliz,
Vila Granada, Vila
Laís, Vila Maluf,
Vila Maria, Vila
Marieta, Vila Ré,
Vila Salete, Vila
Santana, Vila São
Geraldo, Vila Vera,
Vila Vidal.